CAMPANHA PELA MUSICOTERAPIA - REGULAMENTAÇÃO
[20/05/2008] Os Paralamas do Sucesso apóiam a Regulamentação
da Profissão de Musicoterapeuta.
A Comissão
de Goiânia, encarregada pela UBAM,
de realizar ações em prol da Regulamentação da Profissão, entrou em contato
com a banda Os Paralamas do Sucesso, com o objetivo de buscar apoio para
fortalecer o movimento pela aprovação do Projeto Lei da Câmara nº 25/2005,
que dispõe sobre a Regulamentação da Profissão de Musicoterapeuta, ora em
tramitação no Senado Federal.
O Projeto foi encaminhado para votação pelo Plenário, após duas aprovações
consecutivas (Comissão de Educação e Comissão de Assuntos Sociais).
A banda Os Paralamas do Sucesso, formada pelos músicos Herbert Vianna, João
Barone e Bi Ribeiro, ciente da importância dessa causa, declarou apoio à
Regulamentação da Profissão de Musicoterapeuta: "Sabemos o quanto é
importante essa luta. Toda hora que somos entrevistados, surge o assunto
da recuperação do Herbert e sempre "culpamos" a música, sempre
dizemos que MÚSICA É O MELHOR REMÉDIO!" - disse João Barone - baterista
da banda, à Comissão
de Goiânia designada pela UBAM para realizar ações em benefício da Regulamentação.
É importante lembrar que a banda Os Paralamas do Sucesso também apóiam a campanha:
"MUSICOTERAPIA: ENTRE NESSA SINTONIA”
Campanha em benefício do setor de Musicoterapia da ABBR
(Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação). O objetivo é conseguir
doadores para aumentar em 30% o número de pacientes – todos de baixa renda
e portadores de deficiência física – e manter o atendimento daqueles que
têm dificuldades para pagar o tratamento.
A Musicoterapia funciona na ABBR há 42 anos e faz parte do tratamento multidisciplinar
de reabilitação física. O método consiste na utilização de música e de elementos
musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) para facilitar e estimular a condição
física, emocional, mental, social e cognitiva dos pacientes em reabilitação.
Para participar, o primeiro passo é se cadastrar na Ouvidoria da ABBR, pelo
telefone (21) 3528-6410 ou 3528-6363. A doação pode ser feita através de
boleto bancário, enviado por Correios pela instituição, ou por depósito
em conta corrente.
“A música sempre foi uma coisa que eu chamo de um remédio mais elevado.
E para nós do Paralamas, é um prazer colaborar com uma iniciativa tão nobre.”
- Herbert Vianna, na ocasião do lançamento da campanha
ancorada pela banda Os Paralamas do Sucesso.
Fonte: ABBR - http://www.abbr.org.br
Quem e Cultura
Por Danilo Casaletti
Fonte: Revista
Quem
Música
que salva
No último dia 19, o grupo Paralamas do Sucesso deu o acorde inicial na campanha
Musicoterapia, Entre Nessa Sintonia, uma iniciativa do setor de Musicoterapia
da ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação). O objetivo
do evento é conseguir chamar a atenção da sociedade para a importância da
música na recuperação de pacientes com deficiência física e, com isso, aumentar
o número de colaboradores e doadores para o projeto. A musicoterapia funciona
na ABBR há 42 anos, porém não está incluso no SUS (Sistema Único de Saúde)
e, por isso, dificulta o acesso das pessoas de baixa renda. Atualmente o
projeto faz cerca de 750 atendimentos por mês com pacientes de todas as
idades. Um dos momentos mais emocionantes da visita do grupo à ABBR foi
quando os pacientes, na sua maioria crianças, cantaram a canção Óculos.
'A música é um remédio mais elevado, abre as janelas das pessoas. E, para
nós do Paralamas, é um prazer colaborar com uma iniciativa tão nobre', disse
Herbert Vianna durante o evento. Hebert pode falar com propriedade. Um acidente
de ultraleve, em 2001, deixou-o paraplégico, e a música - sem dúvida - foi
sua grande força para retomar suas atividades normais e sua carreira artística.
A ABBR fica no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Mais informações
podem ser obtidas através do telefone (21) 2294-6642, ramais 121/122.
MAIS ARTIGOS
Ministério da Saúde
Fonte: Instituto
Nacional de Cardiologia Laranjeiras - 2005
Responsável pelo conteúdo: Monte Castelo - Idéias
Email: informa_incl@montecastelo-ideias.com.br
JORNAL ASSIST – FEVEREIRO/MARÇO 2007
• Tratamento através de notas musicais
Melodia que faz bem para o corpo e a alma de todas as idades
Que a música faz bem para a alma, todo mundo sabe. Ou deveria saber. Mas que a música faz bem também ao coração, isso é novidade. Vivaldi, Beethoveen, Bach e Mozart fazem parte do cotidiano de pacientes internados com problemas cardíacos na Zona Sul do Rio. Desde outubro de 2004, a Unidade Cardio Intensiva Clínica, do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras oferece música ambiente aos seus pacientes. A idéia surgiu de um questionário apresentado aos funcionários, em que eram pedidas sugestões para a melhoria do trabalho realizado.
Foram instaladas caixas de som ao lado dos leitos, nas salas dos médicos, enfermeiras e na entrada da UTI, onde os visitantes aguardam para ver seus familiares e amigos. O resultado não poderia ter sido mais surpreendente. "Com a implementação da música, sobrou calmante na farmácia da UTI. Até os remédios injetáveis, que são mais fortes, foram menos utilizados. Constatamos uma diminuição de 40 no uso de sedativos e tranqüilizantes. E em alguns meses, essa porcentagem subiu em até 80.", comemora a Dra. Cynhia Karla Magalhães, chefe da unidade.
A utilização da música por um profissional qualificado pode promover o bem-estar e a melhora da saúde física e emocional. A professora Martha Negreiros desenvolve vários trabalhos na área. Em um deles, ela é coordenadora do programa de Musicoterapia no Aleitamento Materno Exclusivo (MAME), da Maternidade Escola da UFRJ. "O objetivo é avaliar a eficácia da musicoterapia no aumento da prevalência ao aleitamento materno em recém-nascidos prematuros", conta. O comportamento é observado p estagiárias que registram dados e analisam as emoções, auxiliam no desenvolvimento psicológico das mães. O tratamento vai até a alta do bebê, quando ele ultrapassa dois quilos e tem quadro estável. A enfermaria é baseada no método Mãe Canguru, proporcionam calor, estímulo e afeio. "A ansiedade interfere e a música acessa essas emoções e as coloca para fora", explica Martha Negreiro.
A musicoterapia faz parte do tratamento multidisciplinar da Associação
Brasileira de Reabilitação (ABBR), no Jardim Botânico, há 42 anos. Atualmente,
a unidade realiza uma méd de 750 atendimentos por mês, a uma centena de
crianças, jovens e adultos. Segundo a coordenadora do setor Gabrielle de
Souza. tratamento tem grande importância no processo de reabilitação pois
desenvolve e recupera de forma lúdica assunções do paciente) "A música
ajuda na expressão de sentimentos, aliviando tenso e favorecendo o convívio
social", diz a professora de musicoterapia que atende na ABBR pacientes
com paralisia cerebral, síndromes genéticas, seqüelas de acidentes vasculares,
traumatismos cranianos e medulares, Parkinson, entre outros.
Gabrielle de Souza recorda em especial de uma criança com atetose (movimentos
involuntários), que tinha paixão pela música mas não conseguia falar. "Foi
tentado introduzir alguns instrumentos de sopro passando pelo piano. Ela
só conseguia usar o polegar. Mesmo assim, quando percebeu que estava saindo
música pêlos seus dedos, ela se transformou. Depois descobriu a harmonia
e passou a compor melodias. O tratamento propiciou melhoria na escrita e
no movimento", relata.
A Casa Ronald, no Maracanã, também oferece sessões de musicoterapia às crianças, adolescentes e suas acompanhantes do sexo feminino hospedadas. A instituição é uma casa de apoio a pacientes com câncer que estejam em tratamento em hospitais conveniados na cidade do Rio. Elisabeth Peterson, coordenadora do projeto, conta como é o trabalho realizado com as mães. "A música traz à tona lembranças boas e ruins. A verbalização é incentivada. O próprio grupo se transforma em terapeuta. Os problemas, muitas vezes, são parecidos. O comportamento de cada uma melhora após o contato", conta a musicoterapeuta que também revela um resultado concreto: a gravação de um CD com músicas escolhidas durante as sessões. O grupo já cantou em eventos externos e aguarda novos convites para continuar com as apresentações.
Edvânia Toledo, mãe de Gabriel, de 7 anos, também não perdia uma sessão quando os dois ainda estavam hospedados na Casa Ronald. "A musicoterapia me ajudou bastante durante todo o tratamento do meu filho. Ficamos perdidas, sem rumo longe dos familiares. Aqui lembramos que antes de sermos mães, somos mulheres. Olhamos um pouco para dentro de nós mesmos e entendemos as mudanças que estamos vivendo", explica a ex-hóspede e atual voluntária.
Laryane Lourenço, musicoterapeuta das crianças e jovens da Casa Ronald, ressalta a importância do trabalho e da seriedade com que ele deve ser conduzido. "Durante as sessões estamos mexendo com sentimentos. Não é simplesmente juntar algumas pessoas para cantar. Quando os sentimentos vem à tona, deve-se saber trabalhar com eles. Não é uma brincadeira", enfatiza. Filiach Oliveira Rangel, de 14 anos, está hospedado pela segunda vez na casa de apoio. Ele se emociona ao falar da importância da instituição e da experiência vivida dentro das sessões de musicoterapia. "O tempo que passei aqui nunca será apagado da minha mente. Vou levar lembranças da convivência com os hóspedes e voluntários", diz. Ele gosta tanto de música que incentivou sua mãe Benedita a participar do grupo dos adultos. "Lá podemos cantar, recriar canções e tocar instrumentos musicais. É muito legal", conta o menino.
Elisabeth Petterson lembra as palavras de um famoso musicoterapeuta norueguês,
chamado Even Ruud, que disse certa vez que se pudéssemos traçar um mapa
da nossa vida, esse mapa poderia ser traçado com músicas. "Para cada
fase da vida, nós teríamos uma música que determinaria as fases que vivemos.
A música traz nossa identidade", conclui.
ESTADÃO
Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2007
Fonte: Estadão.com.br
Oliver Sacks e a música que salva
O médico de Tempo de Despertar lança livro sobre poder miraculoso
dos sons
Antonio Gonçalves Filho
A música é o mais poderoso antídoto contra a demência, mas pode também deixar
alguém maluco. Pode salvar uma pessoa com mal de Parkinson, resgatar uma
outra com Alzheimer e até transfomar alguém que nem se importava com ela
num exímio virtuose. É isso o que diz o neurologista inglês Oliver Sacks,
autor de vários livros sobre curiosas habilidades desenvolvidas por pessoas
doentes. Ele lança amanhã, no mundo todo, seu livro Alucinações Musicais
(Companhia das Letras, 368 págs., R$ 49). Sacks, cujo trabalho foi tema
do filme Tempo de Despertar (Awakenings), concedeu por telefone uma entrevista
ao Estado, reproduzida abaixo.
O senhor diz em seu livro que seu interesse por alucinações musicais começou nos anos 1970, quando sua mãe, aos 75 anos, teve uma experiência extraordinária, ouvindo canções patrióticas da guerra dos Boêres em seu cérebro. Naquela ocasião o senhor pensou que ela estava a um passo da insanidade?
Não diria que ela estava a um passo da insanidade. Inicialmente, imaginei que pudesse ser um derrame ou efeito de algum remédio, mas concluí que se tratava, antes de tudo, de uma experiência poética, algo parecido com o que T.S. Eliot descreve num de seus poemas sobre o momento exato em que seu cérebro começa a se reciclar. A percepção musical e as emoções que a música pode despertar não dependem só da memória. Creio que ela mesma não ficou perturbada quando começou a ouvir essas velhas canções de guerra involuntariamente. Naquela época estava escrevendo O Homem Que Confundiu Sua Mulher com Um Chapéu e tratava também de uma velha senhora que julgava estar ficando demente por ter essas alucinações musicais. Ela estava ficando surda e como a perda auditiva implicava pouca estimulação desse sentido e de seu sistema perceptual, é natural que o cérebro buscasse uma compensação, justamente as suas alucinações musicais. No caso de minha mãe, porém, ela não sofria perda auditiva ou cognitiva. As canções sumiram de sua mente após duas semanas.
A perda da capacidade auditiva por músicos profissionais parece crescer assustadoramente em todo o mundo, já castigado pela poluição sonora urbana e o uso abusivo de iPods e celulares. Esse fenômeno estaria associado a uma conseqüente perda da capacidade criativa?
De fato, há um problema grave de amplificação que castiga particularmente os músicos profissionais - em especial os de rock e jazz -, mas ele diz respeito a todos os que moram nas grandes cidades. É perigoso ficar exposto a alto volume de som e à poluição sonora como ficamos, por exemplo, em Nova York. Uma pesquisa mostrou que 90% dos habitantes da cidade têm iPods e que a tendência entre os jovens é ouvir música em alto volume. Aliado a isso temos uma rede sonora que nos cerca em todo o meio urbano, dos bares aos shoppings. Há música em todo o lugar. Mas, voltando ao problema da criação, não vejo como a perda da audição possa afetar a imaginação. Há exemplos históricos, como Helen Keller e Beethoven, que provam o contrário.
Novalis, como o senhor mesmo cita em seu livro, costumava dizer que toda doença é um problema musical e que toda cura é uma solução musical. O senhor propõe que a música possa ser uma ponte para pacientes como o cirurgião Tony Cicoria, atingido por um raio quando telefonava e subitamente transformado em pianista após o quase fatal acidente, quando começou a ouvir Chopin de forma obsessiva. Há compositores que ajudam mais que outros na terapia musical?
Cicoria ficou obcecado por Chopin por causa de uma gravação do pianista Vladimir Ashkenazi, mas não diria que exista um compositor melhor que outro para uso terapêutico. A música ajuda, não importa se é de Monteverdi ou de Verdi, embora alguns compositores possam resultar menos eficazes, como Wagner (ri). Pessoas que tinham um vago interesse musical passam, subitamente, a depender de música, não exatamente por causa de um compositor, mas por emoções liberadas por algum tipo de som. IPods podem ajudar muito pacientes com afasia ou mal de Alzheimer, especialmente músicas que lhe sejam familiares. Acontece com frequência que essas pessoas sejam tratadas como idiotas, o afásico por não conseguir se expressar e o paciente de Alzheimer por ser alguém que perdeu a identidade, passando a ser tratado como um simulacro de pessoa. Portadores de distúrbios neurológicos como a paciente parkinsoniana Rose, de Tempo de Despertar, ouvia incessantemente temas repetitivos em sua cabeça e isso era um realmente sofrimento. No entanto, a música pode ajudar outros pacientes com Parkinson, embora eles raramente tomem a iniciativa de buscá-la. O primeiro passo costuma sempre ser do terapeuta. O fluxo irregular do movimento dos parkinsonianos pode melhorar muito com a música, embora ela não precise ser familiar ou evocativa, como no caso das pessoas com Alzheimer.
O senhor parece discordar de colegas como Donna Cohen, que defende estar a perda da autopercepção automaticamente associada à perda do self em pacientes com Alzheimer. Por que esses pacientes têm uma ligação mais forte com memórias musicais da infância?
À medida que a doença avança, uma pessoa com Alzheimer pode perder sua capacidade lingüística, mas isso não significa perder a autopercepção, em especial a da própria diversidade. Somos uma espécie lingüística e a perda da capacidade de se expressar não se traduz automaticamente em perda do self. A pessoa pode sofrer uma regressão à infância, mas aspectos de sua personalidade sobreviverão. A linguagem musical prevalece sobre todas as outras e a memória para ela sobrevive a todas as outras formas de memória, e funciona quando tudo o mais parece ineficaz.
A emergência de um talento artístico em doentes com demência frontotemporal é analisada em seu livro. Há mesmo uma ligação direta entre criatividade artística e loucura?
Esse é um conceito romântico. A demência frontotemporal é um caso muito especial. O advento de talentos artísticos nesses pacientes é uma forma de compensação, uma maneira de conviver de forma mais harmoniosa, digamos, com a demência, uma forma de coexistência. Esse tipo de talento surge, de modo geral, em pessoas com lesão no lobo temporal esquerdo. São pacientes desinibidos que aprenderam, de alguma forma, a conviver com a demência.
Um dos capítulos mais interessantes de seu livro é o dedicado aos efeitos da música sobre os tiques dos portadores da síndrome de Tourette, especialmente como o jazz e o rock, que, pela liberdade de improvisação, podem ajudar essas pessoas. Por que esses dois gêneros musicais são mais atrativos?
Por causa do uso da percussão no jazz e no rock. Conheço vários músicos
de jazz com essa síndrome e que tiram o melhor partido dessa diferença.
Cito, no livro, o caso de David Alridge, baterista de jazz que contou sua
história num livro em que descreve como a permissão para improvisar liberou
seus movimentos e o fez explorar novas possibilidades sonoras. Pessoas com
Tourette têm o problema oposto ao dos portadores de Parkinson. Eles precisam
canalizar essa energia incontida.